
Qual o perfil do trabalhador do futuro? Esse exercício de especulação foi submetido durante três meses a 178 brasileiros, com cargos de relevância nos mais variados tipos de empresas, escolas e mídia - gente que se vê obrigada a contratar funcionários e, ao mesmo tempo, manter o próprio emprego. Concluída sexta-feira passada, a pesquisa mostra que o que sabemos e acreditamos beira a inutilidade, revelando o alto risco de obsoletismo humano.
Competente é, segundo a pesquisa, quem se sente eternamente no limiar da imcompetência, incorformado com o que já sabe - e capaz de transformar a sua curiosidade em energia intelectual. As respostas indicam que, neste final de século, não é a máquina que vence, mas a valorização do que existe de mais humano, como a criatividade e a paixão pela descoberta. Indagados sobre qual o requisito mais importante na formação do trabalhador do futuro, os entrevistados colocaram em primeiro lugar, disparado, "nunca parar de aprender". Significa o fim da arrogância de quem já tem o seu diploma, obrigando o indivíduo a se sentir um estudante permanente. Logo em seguida, aparece "Ter curso superior completo"; com bastante destaque está registrado "fazer cursos complementares na universidade".
Em relação aos aspectos psicológicos, quando se aborda a personalidade ideal do profissional do futuro, deu, em primeiro lugar, "ser ético/honesto/idôneo".
Mudar de emprego hoje é ao contrário de antigamente, sinal de flexibilidade e talento. dá pontos, por revelar acúmulo de experiência.
Indica a lógica de que o indivíduo está acima da empresa - assim como a empresa se sentia acima do indivíduo.
É portanto, uma relação de troca em que o trabalhador empresta sua competência e se vê obrigado a atualizá-la sempre.
Gilberto Dimenstein, FOLHA de SÃO PAULO, 22/11/1998.
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